30 Maio 2018
Bozena Malmgren acumula mais de três décadas na Tetra Pak. Conhecida como Doutora do Leite, a especialista ajudou a desenvolver a indústria em diferentes aspectos
Conhecida como Doutora do Leite, Bozena Malmgren viu praticamente todos os desafios relacionados ao processamento de laticínios. Há mais de 36 anos na Tetra Pak, a maioria como especialista em embalagem e processamento e em tecnologia asséptica, não é exagero dizer que Bozena ajudou a desenvolver a indústria e aprimorar novos métodos produtivos. 

Em comemoração ao Dia Mundial do Leite, conversamos com a Bozena para aprender mais sobre o consumo de leite em diferentes regiões do mundo e sobre inovações recentes que mudaram por completo as regras do jogo e o desenvolvimento da indústria.

Q: O consumo de leite é predominante ao redor do mundo?
Nós identificamos diferenças nos hábitos de um país para outro. Por exemplo, nos países escandinavos, o leite é consumido pelas pessoas durante toda sua vida. É a bebida principal no café da manhã, almoço e jantar. Em outros países, o leite é consumido apenas por crianças. Enquanto os pais priorizam o consumo de leite durante a infância de seus filhos por ser uma boa bebida para nutrir corpos em fase de desenvolvimento, eles próprios não o consomem. Na Ásia, o consumo de leite pelos idosos é incomum, mas é uma tendência que está mudando. Nós estamos vendo uma mudança na população asiática, onde o consumo de leite e produtos lácteos está crescendo.

Bozena Malmgren

Q: Como é um dia típico na sua vida? 
Eu passo mais de 150 dias por ano viajando ao redor do mundo para visitar clientes, ensinando os princípios e benefícios do envase asséptico de leite e do processamento, e ajudando os clientes em suas unidades de produção.

Quando estou no escritório, as pessoas me ligam com questões sobre o design de produção, como usar componentes específicos nas fábricas ou qual tecnologia eu recomendaria para o processamento de diferentes produtos. Eu também resolvo problemas. Por exemplo, às vezes a qualidade do produto não está correta na instalação de uma nova unidade. Eu posso receber ligações questionando o porquê de um produto não estar como o cliente espera, então eu avalio o design e a operação da linha de processamento e recomendo modificações para produzir o produto de modo adequado. Os clientes frequentemente enviam fotos e vídeos dos produtos ou de suas operações e pedem assistência.
 
Q: Qual é maior mal-entendido do consumidor sobre os produtos lácteos assépticos, ou o leite UHT vendido nas prateleiras de lojas e supermercados?
Muitos consumidores acreditam que os produtos lácteos contêm conservantes por estarem expostos em temperatura ambiente, mas isso não é verdade. Nossa tecnologia utiliza um rápido aquecimento, também conhecido como aquecimento relâmpago – para atingir temperatura ultra altas (UHT) – e um resfriamento para matar os microrganismos e manter a qualidade. As embalagens da Tetra Pak com múltiplas camadas não permitem que os microrganismos e outros contaminantes entrem em contato com o produto. Assim, é possível produzir um produto estável para a distribuição ambiente sem quaisquer conservantes.

Em países como os Estados Unidos e o Canadá, muitas pessoas pensam que o leite deve ser sempre refrigerado. Quando elas o encontram nas lojas em prateleiras normais ao invés da seção refrigerada, elas pensam que devem conter aditivos químicos para que não precisem de refrigeração. É preciso um trabalho de conscientização para que as pessoas entendam que por trás disso há tecnologia e que a manutenção da qualidade e dos nutrientes é uma prioridade.

Q: Como a Tetra Pak contribui para a discussão sobre os benefícios do processamento asséptico?
Como fabricantes de processamento e envase assépticos, nós ajudamos a educar consumidores sempre que possível. Por exemplo, eu tive a oportunidade de participar de um simpósio no Quênia e falar para pediatras e especialistas em nutrição sobre os princípios do processamento asséptico. Quando eu tenho uma oportunidade como essa, posso explicar como o processamento asséptico é suave para os nutrientes nos produtos. Quando nós educamos pediatras, eles podem transferir o conhecimento para mães, para que elas saibam que o processamento asséptico é bom para as crianças – e não tem conservantes. A maioria das crianças em países em desenvolvimento consome leite puro, o que é perigoso, pois pode conter microrganismos patogênicos que contribuem para o desenvolvimento ou evolução de doenças. O processamento asséptico garante que o leite seja seguro para consumo, em qualquer lugar.

Eu também viajei para a Indonésia e Índia para fazer a mesma apresentação para os físicos locais. E os benefícios também são relevantes para países desenvolvidos, onde as crianças podem consumir o leite armazenado em suas lancheiras e mochilas de esporte com segurança.

Q: Quais inovações tiveram impacto significante para o processamento asséptico de lácteos?
O processamento asséptico começou com sistemas diretos de aquecimento – sistemas em que o produto é misturado diretamente com vapor. Quando comecei minha carreira nos anos 1980, o mundo estava enfrentando uma crise energética, então começamos a desenvolver os sistemas indiretos de temperaturas ultra altas (UHT), que consumiam cinco vezes menos energia. Naquela época, os sistemas indiretos eram baseados em placas permutadoras de calor e nós usávamos somente para processamento de poucas aplicações de leite, creme e sucos – produtos com baixa viscosidade. 

No começo dos anos 1990, as inovações incluíam produtos de alta viscosidade, assim como leite evaporado e produtos com partículas pequenas, enquanto os requisitos de produção solicitavam volumes maiores. Nossa resposta para essas demandas de mercado foi um sistema tubular de aquecimento, que garantiu muitas vantagens. Hoje, em torno de 90% dos sistemas que vendemos são tubulares.

Por conta da nossa tecnologia, expertise e propriedade industrial, somos líderes em processamento asséptico. Mais de 50% de todo o sistema UHT que é vendido globalmente é fabricado por nós. De fato, entregamos mais de 360 sistemas por ano, o que corresponde a quase um por dia.

Q: Como surgiu o apelido Guru do Leite?
Pessoas de nosso mercado dizem que, se eu não tenho a resposta para uma questão relacionada ao leite, deve significar que essa informação não é necessária. 

Q: Se você tivesse outra carreira, qual seria?
Eu seria médica. Mas hoje eu digo que sou doutora em leite.
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