15 Maio 2018


Na era dos dados e da digitalização, a capacidade de transformação será fundamental para as empresas e profissionais do futuro


Em alguns países da Europa, uma tendência que começa a ganhar visibilidade é a construção de parques livres, onde estão ausentes caminhos arquitetonicamente pré-estabelecidos e que terminam por moldar o padrão de deslocamento de seus visitantes. No lugar, os idealizadores estão deixando que as pessoas se movimentem livremente para somente então criar caminhos que não funcionarão como simples rotas, mas que fundamentalmente servirão de atalhos ao conectar pessoas e lugares. Por trás dessa ideia está um amplo exercício de reflexão e aprendizagem, dois dos pilares centrais ao guiar a inovação.

“É preciso entender a experiência do consumidor e então propor atalhos que vão de encontro aos seus desejos e necessidades. Isso não precisa necessariamente ser high tech, mas deve reduzir atritos e melhorar a experiência do usuário”, diz Veronica Magariños, facilitadora e líder de negócios da escola de inovação digital Hyper Island. Veronica foi uma das palestrantes durante o Círculo do Conhecimento, evento promovido pela Tetra Pak que busca estimular o debate sobre vendas, varejo, marketing, inteligência de negócios e inovação dentro das empresas.

A abordagem da Hyper Island está baseada sob três pilares: empatia, curiosidade e coragem. Enquanto o primeiro e o segundo dizem respeito à capacidade de entender, se conectar ao consumidor e questionar o modo como as soluções são ofertadas, o último reside na capacidade de ação de empresas e indivíduos para propor alternativas que vão além do estabelecido. Ou seja, a capacidade para inovar.

Neste sentido, a metodologia proposta caminha em alinhamento com ideias e valores de alguns dos mais relevantes pensadores contemporâneos. Em seus estudos e análises, o pensador e futurista norte-americano Alvin Toffler já indicava para as transformações no horizonte. “O analfabeto do século XXI não será aquele que não consegue ler e escrever, mas aquele que não consegue aprender, desaprender e reaprender”, disse ao abordar a convergência digital e as transformações possibilitadas pelo advento das novas tecnologias.



Digitalização: a nova máquina a vapor

Em uma tentativa de mostrar o quanto o acesso a informação é fundamental para o desenvolvimento das sociedades e economias contemporâneas, muitos já compararam a Era dos Dados ao novo petróleo. Em linhas gerais, isso significa uma ruptura no modelo de pensamento fixo – aquele pautado na manutenção do status quo e focado em repetir ações sem de fato questionar a sua eficácia - para um modelo flexível de pensamento, com um caráter provocador e baseado na constante troca de dados e informações, no sentido de buscar alternativas e novas abordagens ao pré-estabelecido.

No mundo dos negócios, essa estrutura de pensamento é o que pode definir a capacidade de uma empresa de permanecer saudável e competitiva, ou de sucumbir às constantes e incontroláveis transformações dos mercados aos quais ela está exposta. Um levantamento recente do Financial Times indica que até 2025, 40% das empresas listadas na Fortune 500 não irão mais existir. Em caminho similar, pesquisadores indicam que em pouco mais de vinte anos, 80% das profissões que conhecemos hoje deixarão de existir ou terão se transformado de tal maneira que passarão a ter outros nomes e funções.

“A digitalização está fazendo para a capacidade mental, o que a máquina a vapor fez para a força de trabalho”, explica Veronica. “Digital é um modo de pensar, enquanto a tecnologia representa um meio para testar ideias e moldar novos comportamentos, o que por consequência leva à inovação. Em vista disso, a inovação precisa permear todos os negócios e processos de uma organização, e não ser um departamento isolado”.

E você e sua empresa? Vocês estão realmente prontos para inovar?
 

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Acompanhe a série sobre o Círculo do Conhecimento

Mentes e portas abertas para a mudança
 
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