12 Julho 2018
A rebeldia pode ser um ingrediente importante para o sucesso. Cada vez mais organizações apostam em modelos inovadores de gestão para elevar seus resultados 


Quando os holandeses Joost Minnaar e Freek Ronner deixaram posições estáveis em companhias respeitadas, muitos perguntaram se eles não estariam abandonando o emprego dos sonhos. A princípio, a oferta de salários atrativos aliada a jornadas de trabalho razoáveis deveria ser suficiente para manter os profissionais satisfeitos, mas a inquietação com o excesso de burocracia e a lentidão das empresas para imprimir mudanças foram determinantes para a decisão. Foi então que Joost e Freek deixaram suas carreiras para sair em uma jornada em busca das empresas mais inspiradoras do mundo. Nascia naquele momento os Corporate Rebels.
 
“Eu fingia gostar do meu trabalho, até perceber não estar realizado. No fim do dia, não se trata somente de trabalhar, mas de encontrar diversão nas atividades desempenhadas”, contou Joost durante palestra no Knowledge Exchange Sessions (KES), evento sobre criatividade e inovação aplicada aos negócios, que conta com o patrocínio da Tetra Pak. A última edição aconteceu em junho, em São Paulo.


 
Pesquisa conduzida pelo instituto Gallup apontou que em todo o mundo somente 13% das pessoas se dizem engajadas com o seu trabalho, enquanto 63% não se consideram engajadas e outras 24% se dizem ativamente desengajados – profissionais que sistematicamente utilizam as horas de trabalho para outras atividades. Se por si só os números são preocupantes, eles ganham maior importância quando relacionados ao lucro e à produtividade das empresas.

“É extremamente difícil transformar os negócios se você não for capaz de transformar as pessoas ao seu redor. É preciso confiar no seu time e encorajar as pessoas a sempre tentarem mais”, contou Ronner, replicando um dos ensinamentos que absorveu durante visitas aos ambientes de trabalho mais inspiradores do mundo, hoje listados na Bucket List. A lista elenca empreendedores, acadêmicos, organizações e lideranças empresariais que adotaram com sucesso métodos radicais e inovadores para conduzir negócios.

A rebeldia como uma aliada estratégica

Fruto das visitas realizadas a diferentes empresas ao redor do mundo, os representantes do Corporate Rebels defendem um modelo menos tradicional de gestão de negócios e equipes, de modo a estimular trocas de experiências que não fiquem limitadas a enfadonhas salas de reuniões ou a níveis hierárquicos que dificultem a comunicação.
 
Confira abaixo oito grandes tendências notadas por Joost e Freek em visitas a mais de 70 organizações.

1. Do lucro para um olhar apurado para proposta e valores
Crie um propósito simples e comum a todos dentro da organização. Quando todos têm o mesmo objetivo, cria-se a noção de colaboração e o desejo de contribuição entre todos os membros da equipe.
 
2. Pirâmide hierárquica e redes de equipes
Hierarquias rígidas conferem lentidão a processos que poderiam ser dinâmicos. Dar autonomia às equipes faz com que cada time se torne responsável por seus resultados, o que potencializa o senso de pertencimento e responsabilidade de cada indivíduo.
 
3. Da liderança diretiva para a liderança de apoio
As lideranças da organização são respeitadas por servirem de modelo para os outros funcionários, e não por uma mera imposição de cargos. No modelo de liderança de apoio, os líderes buscam contribuir com as suas equipes, na contramão do modelo de autoridade conquistada pelo medo ou pelo controle excessivo.
 
4. Inversão entre “planejar e prever” para “experimentar e adaptar”
Para se manter competitivo, é preciso errar antes de todo mundo, de modo a executar ajustes baseados na experiência adquirida. Planos não deixarão de existir, mas deve se ter em mente que muitas vezes eles não levam em consideração aspectos práticos impossíveis de serem previstos com antecedência.
 
5. Menos regras e controle, mais liberdade e confiança
Regras garantem que todos sigam os mesmos comportamentos, mas não engajam funcionários de modo que eles busquem o seu melhor. Empresas progressistas confiam nas pessoas e as tratam como adultos com conhecimento de suas responsabilidades.
 
6. Autoridade centralizada para autoridade distribuída
Organizações inovadoras tendem a dar autonomia às suas equipes para tomadas de decisão do dia a dia. Com isso, as equipes também são responsáveis por prestar contas e acompanhar os resultados das decisões tomadas.
 
7. Da confidencialidade das informações para a transparência radical
Informação é poder, mas não pode estar centralizada nas mãos das lideranças. Somente com transparência as equipes terão informações suficientes para tomar decisões rápidas e acertadas.
 
8. Menor foco no job description, maior ênfase para talento e excelência
Contratar por talentos e habilidades faz com que os colaboradores se engajem mais com as tarefas desempenhadas no dia a dia e com a organização que representam. 
 
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