17 Setembro 2018
Algoritmos e leitura de milhares de dados já levaram o ser humano além. O próximo passo será dotar as máquinas de inteligência emocional


Em diferentes aspectos do nosso dia a dia, humanos e robôs convivem lado a lado. Enquanto somos dotados de capacidade emocional, as máquinas são habilitadas com funções que lhes permitem realizar tarefas inviáveis ou de difícil execução para a maioria de nós. Até então, nossas companheiras mecânicas não tinham qualquer habilidade emocional, contudo, esta realidade está prestes a mudar. No próximo capítulo dos avanços tecnológicos, acompanharemos o que alguns especialistas já chamam de a “humanização das máquinas”.

Pamela Pavliscak, pesquisadora norte-americana especializada no estudo da emoção aplicada à tecnologia, defende que já estamos próximos do que pode ser chamado de A Era das Máquinas Sociáveis (The Age of Sociable Machines, em inglês). “Os robôs não terão sentimentos humanos, mas tome como exemplo nossos bichos de estimação e a capacidade que eles têm para nos compreender. Algo similar deverá acontecer com os robôs interagindo com os seres humanos”, diz.

Segundo a pesquisadora, em 2025 o mercado para tecnologias respaldadas pela inteligência artificial baseada na leitura de emoções deverá girar em torno de US$ 50 bilhões. Nessa escalada, a inteligência emocional das máquinas deverá progredir a níveis similares ao da capacidade humana, criando possibilidades de interação que, vistas aos olhos de hoje, parecerão cenários de ficção científica.

“A tecnologia atual é ‘burra’, pois ela ainda não reconhece emoções. Mas ao passo em que ela avançar para a capacidade de detectar estados emocionais, nós, seres humanos, seremos apresentados a novas e melhoradas experiências”, diz Pamela.
 
Leitura de expressões faciais

Assim como os seres humanos são dotados da capacidade de ler e interpretar expressões faciais, no futuro próximo as máquinas serão habilitadas com capacidade similar. Imagine, por exemplo, um carro equipado com inteligência emocional sendo conduzido por alguém irritado e altamente agitado naquele momento. Lendo a expressão facial do condutor, o sistema de bordo poderá recorrer a estímulos que acalmem o motorista - tocar música calma, acionar luzes frias -, de modo a evitar condutas perigosas no volante.

O mesmo padrão poderá ser notado em ambientes corporativos. Salas equipadas com sensores de detecção facial poderão identificar equipes agitadas ou com baixa energia a fim de criar a atmosfera ideal para determinado momento: luzes em cores vibrantes para estimular conversas e novas ideias ou frias para momentos que demandem foco e atenção; temperaturas mais quentes ou mais geladas para estimular ou acalmar equipes (estudo publicado no MIT Technology Review concluiu que o tempo e a temperatura influenciam no estado emocional das pessoas).

“Nós nos importamos demais com a camada funcional da tecnologia, mas não damos a atenção necessária para o seu aspecto emocional. Chegou o momento do quociente emocional das máquinas chegar ao mesmo nível de quociente de inteligência (QI) que elas já possuem”, diz Pamela.

Pamela foi a palestrante da edição de agosto do Knowledge Exchange Sessions (KES), evento sobre criatividade e inovação aplicada aos negócios, que conta com o patrocínio da Tetra Pak. Além de pesquisadora, Pamela também é fundadora da Change Sciences, companhia que auxilia organizações no mundo inteiro a humanizar a tecnologia.

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