18 Dezembro 2017

Nos próximos 15 anos, a indústria transformará radicalmente a forma como os alimentos são produzidos, embalados e distribuídos. Mudar deixou de ser uma escolha para se tornar uma diretriz essencial a todos que desejam permanecer econômica e lucrativamente ativos. 

 
“Todas as grandes organizações são construídas para resistir à mudança e evitar riscos. Somos empresas que buscam eficiência operacional. Queremos entregar o mesmo produto, a partir de nosso sistema de logística, em qualquer lugar do mundo. Esse modelo, contudo, não é mais assertivo. Precisamos ser movidos a flexibilidade e agilidade, passíveis de adaptação”, afirma Salim Ismail, diretor-executivo e fundador da Singularity University, instituição que desde 2008 vem desenvolvendo uma nova geração de líderes para administrar as crescentes tecnologias contemporâneas. 

Salim Ismail em palestra no Círculo do Conhecimento, promovido pela Tetra Pak

 
Autor do livro Organizações Exponenciais, Ismail palestrou da última edição do Círculo do Conhecimento Tetra Pak®, evento que reuniu especialistas de diversas áreas e clientes da companhia para discutir o que há de mais inovador na indústria de alimentos. A palestra teve a curadoria da HSM Educação Executiva. 
 
Segundo o empreendedor, atualmente as principais transformações estão ligadas a quatro pilares, também conhecidos em inglês como “os Ds das Exponeciais”: digitization, disruption, demonetization e democratization (digitalização, disrupção, manifestação e democratização). 
 
Esse cenário tem impulsionado companhias globais a substituírem bens físicos por ambientes digitais. “Marcas estão se tornando experiências. Por exemplo, a embalagem que costumava ser a identidade de um produto proporciona experiência. São mudanças constantes e exponenciais. A questão é como nos organizaremos para acompanhá-las e nos renovar a partir delas”, reforça. 
 
Um conselho é investir na fórmula MPT: massive transformative purpose (grande propósito transformador). Organizações exponenciais têm um propósito transformador, investem e se aprofundam nele, garante Salim.  
 

Ecossistema de valor distribuído
 

Segundo o Laboratório de Pesquisas em Alimentação do Instituto para o Futuro (IFTF), localizado em Palo Alto, na Califórnia, seis forças globais estão substituindo a tradicional cadeia de valor linear pela rede de distribuição de empresas e parcerias que englobam a indústria alimentícia e de embalagens. 
 
1. Bioeconomia microbiana: até 2030 a compreensão sobre a microbiologia irá convergir com a química, engenharia e informática para criar uma bioeconomia global. E isso já está em andamento. Na próxima década, essas tecnologias devem estar incorporadas às embalagens, garantindo aos consumidores a oferta de alimentos frescos e seguros.
 
2. Alimento digital: a próxima geração da agricultura usará o aprendizado de máquina (machine learning) e funções analíticas preditivas para gerar plantações mais competitivas e eficazes. No futuro dos alimentos digitais, a inteligência artificial e a robótica irão automatizar a agricultura, superando limitações rurais como a luz do sol, água e terreno, a fim de alimentar a provisão de 5 bilhões de pessoas que viverão em cidades e megacidades até 2030.
 
3. Troca de Valor distribuído: desenvolvimentos em inteligência artificial, deep learning e big data irão revolucionar todos os aspectos da rede de valor dos alimentos. Algoritmos irão influenciar ainda mais o processo decisório, desde a distribuição do produto ao design da embalagem. 
 
4. Resiliência planetária: a degradação ecológica causada pelas mudanças climáticas exercerá um efeito drástico sobre a disponibilidade de matéria-prima. Esses desafios exigirão novas formas de pensar, que vão além de infraestrutura e dos modelos operacionais atuais. Estima-se que, ao reduzir os resíduos estruturais e identificar novos usos para os subprodutos, a economia circular gere expressivos benefícios econômicos. 
 
5. Nutrição de alta resolução: os índices de doenças crônicas estão crescendo ao mesmo tempo em que as pessoas têm utilizado cada vez mais a tecnologia para monitorar sua saúde e nutrição. Esses aparatos corporais irão conversar com tecnologias inseridas nas prateleiras das lojas e nas embalagens de alimentos, promovendo um tipo de ecossistema de embalagens inteligentes. 
 
6. Economias pessoais em rede: conforme mais pessoas ganham conectividade com a internet, plataformas como a construção de consenso Loomeo irão oferecer a todos os envolvidos a oportunidade de igualdade de voz em decisões importantes. 
 
Combinadas, essas seis forças irão mudar a base da indústria alimentícia, de uma cadeia de valor linear para um ecossistema de valor distribuído, com bilhões de pontos conectados de forma dinâmica. Até 2030, teremos novos fluxos de informação, colaboração aberta, relacionamentos e experiências totalmente diferentes. E os alimentos serão a força e o meio para essa mudança. 
 

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