05 abril 2019

Máquinas conectadas e acesso a algoritmos serão determinantes para o sucesso na indústria. Mas quais oportunidades se abrem a partir da nova era?
Pense rápido: nos últimos anos, quantas gigantes multinacionais você viu fechando as portas por não terem investido em inovação? Da forma como assistimos a filmes e séries à possibilidade de tirar fotos e postá-las instantaneamente em redes sociais, a tecnologia modificou o comportamento humano e o modelo de negócio em diferentes indústrias. Estar atento às transformações possibilitadas pelas novas tecnologias é fundamental para determinar o sucesso ou declínio de uma corporação. Mas, olhando para os próximos anos, no que devemos prestar atenção?

A questão foi o tema de debate da última edição do KES, evento sobre inovação aplicada ao mundo dos negócios, patrocinado pela Tetra Pak. Futurista e autor de livros como The Dictionary of Dangerous Ideas e The Algorithmic Leader, o inglês Mike Walsh é categórico ao afirmar: “De agora em diante, a chave para o sucesso será a capacidade de cada organização para ser reconhecida como líder em tecnologia. Os algoritmos serão fundamentais para isto”.

Em outras palavras, independentemente do ramo de atuação de cada companhia, todas elas deverão investir em infraestrutura para tráfego e gestão de dados para possibilitar novos formatos de interação e melhorar as experiências dos consumidores com as marcas. Por exemplo, os algoritmos serão responsáveis por prever quando determinado produto estará em falta na casa de um consumidor, fornecendo alertas para os varejistas para que eles possam, proativamente, enviar sugestões para a reposição daquele produto.

Mas não é somente na interação com o consumidor final que os algoritmos terão influência. Eles também serão fundamentais para o modelo de indústria que começa a ser construído e que, cada vez mais, dependerá da interconectividade entre diferentes máquinas, incluindo aquelas instaladas no chão de fábrica e conectadas aos servidores de empresas fornecedoras. Ou seja, antes mesmo do operador de um equipamento identificar um problema, fornecedores de tecnologia e serviços como a Tetra Pak já terão enviado peças de reposição ou realizado manutenções que evitarão paradas e perdas na produção.

“Na realidade que começamos a desenhar, a competitividade estará ligada ao tempo livre que a tecnologia nos dá. A magia da automação e dos algoritmos é que você ganha tempo para se preocupar com o que realmente importa”, diz Walsh.

A tecnologia e o futuro do trabalho

Mas ao mesmo tempo em que os avanços tecnológicos abrem novos horizontes, questões relacionadas ao futuro do trabalho passam a ser levantadas. Recentemente, viralizou a conversa que a assistente do Google teve com uma consumidora nos Estados Unidos interessada em marcar um horário no cabeleireiro. Com voz e pausas similares ao de um ser humano, o robô foi capaz de conduzir uma interação cotidiana de forma praticamente igual à que aconteceria entre duas pessoas de carne e osso. Mas isso significa que postos de trabalho serão perdidos para a tecnologia?

Para o autor de The Algorithmic Leader, a resposta é não. “Após a primeira revolução industrial, o número de postos de trabalho na indústria quadruplicou. Não se trata de eliminar vagas de trabalho, mas de quais posições serão criadas em razão das novas tecnologias. Os principais talentos que você terá em sua equipe daqui cinco anos ocuparão posições que ainda nem existem hoje”, explica.

Em um cenário de profundas transformações, a palavra-chave será adaptação, seja para as organizações, seja para os profissionais inseridos na nova era. “Nós caminhamos para um modelo de mundo muito diferente do analógico. Tudo o que te levou ao sucesso até agora poderá te matar se você não for capaz de se adaptar”, disse Walsh. E, como sabemos, não faltam exemplos de empresas que apostaram demais em seu legado sem de fato atentar para as mudanças no horizonte.
 
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