28 fevereiro 2020

Comunicar os atributos saudáveis de um produto é essencial para o seu bom desempenho nas gôndolas. Mas, um passo atrás, é importante notar que a formulação é algo cada vez mais valorizado pelo consumidor
*Por Monica Pieratti

Basta uma passeada rápida pelo supermercado para perceber que uma transformação silenciosa, porém suficientemente rápida, está acontecendo na indústria de alimentos e bebidas. Aquela seção antes isolada e escondida que agrupava produtos naturais ou voltados para os públicos vegano e vegetariano cresceu ao ponto de, hoje, estar presente em praticamente todos os corredores. Naturalmente, não significa que de uma hora para outra produtos tradicionais tenham ficado de lado, mas que a saudabilidade virou um ponto central para o desempenho de um produto nas gôndolas. 

Parte da procura por alimentos percebidos como saudáveis tem um fundo social. Com o aumento da expectativa de vida da população, cresce a preocupação com o chamado envelhecimento saudável, o que vai muito além de cuidados com a saúde física. De acordo com o relatório Tendências em Alimentação Saudável – 2019, da Mintel, os brasileiros veem em uma dieta saudável uma aliada capaz de controlar distúrbios emocionais, como depressão e ansiedade. Quase dois terços dos entrevistados (61%) concordam com a afirmação.

Ao exercitar um olhar atento e aprofundado, nota-se que a busca por uma alimentação que gere benefícios físicos e emocionais transcende classes sociais. De fato, a associação entre alimentação e bem-estar é mais forte nos grupos com maior renda, mas o que é possível notar é um interesse quase que igual dos consumidores da nova classe média por produtos que tenham a saudabilidade como atributo. Novamente, o que motiva o consumo desses alimentos e bebidas é a busca por bem-estar físico e emocional.

Não é algo que possa ser avaliado isoladamente, mas analisar o crescimento de determinadas categorias ajuda a compreender as movimentações no mercado consumidor. Por exemplo, em 2018, o segmento de bebidas vegetais movimentou cerca de R$ 545 milhões no País, registrando crescimento de 51,5% frente ao ano anterior, segundo a consultoria Euromonitor. De forma complementar, em 2019 o estudo Tetra Pak Index apontou que 60% dos brasileiros consideram produtos à base vegetal como opções boas para a saúde.

Sob a ótica da indústria, isso não significa que o consumidor abrirá mão de categorias tradicionais em preferência a outras. Exemplo disso é o segmento de leites e derivados, que continua sendo o segundo mais importante para a indústria de alimentos e bebidas no Brasil, tendo o leite UHT penetração em mais de 90% dos lares. O que os dados implicam, na verdade, é em uma diversificação de consumo baseada na saudabilidade, exigindo dos produtores respostas e inovações no mesmo sentido - de bebidas vegetais ao desenvolvimento de novas opções na categoria de laticínios, as opções são as mais diversas.

Resumidamente, comunicar os atributos saudáveis de um produto é essencial para o seu bom desempenho nas gôndolas. Mas, um passo atrás, é importante notar que a formulação é algo cada vez mais valorizado pelo consumidor. A escolha dos ingredientes e métodos de processamento adequados são o primeiro passo para o sucesso de um produto no varejo. Os consumidores têm provado que isso é uma verdade.


*Monica Pieratti é diretora de portfólio para a área de Processamento da Tetra Pak, sendo responsável por toda a região Américas. Formada em Marketing pela Universidade Luterana da Califórnia, a executiva acumula experiência no desenvolvimento de estratégias de negócios em diferentes mercados, inclusive tendo liderado o desenvolvimento de portfólio de produtos para a Tetra Pak globalmente.

 
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