13 abril 2020

Empresas retardatárias na adoção de tecnologias registram perdas anuais em receita de até 15%. E se o mesmo comportamento permanecer, o potencial de perdas estimadas até 2023 chega a 46%
*Por Edison Kubo

Em março, o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) divulgou o crescimento registrado pela economia brasileira em 2019. Com a expansão do PIB de 1,1%, o número coloca a economia do país no mesmo patamar de 2013, período imediatamente anterior ao declínio da atividade econômica. Para a indústria, que em anos recentes tem convivido com aumento de custos e redução em margens de lucro, o cenário exige investimentos em tecnologias que levem inteligência e eficiência à operação fabril, de modo que ganhos em produtividade sejam alcançados e, por consequência, haja uma menor pressão sob a atividade industrial e nas margens do setor.

Para a indústria de alimentos e bebidas, o cenário é duplamente desafiador, visto que se trata de um setor que, historicamente, convive com margens apertadas e com um ritmo de produção que não tolera paradas prolongadas e não-programadas. Neste sentido, para lideranças e gestores de unidades industriais não basta unicamente olhar para planilhas que relacionem custos versus produção, mas desenvolver junto às equipes um olhar aprofundado e analítico que permita identificar gargalos na atividade produtiva e oportunidades de melhorias.

Para traduzir em números, um relatório produzido pela Accenture e divulgado em 2019 aponta a relação entre adoção de novas tecnologias e a saúde financeira das organizações. Segundo o estudo Future Systems, empresas retardatárias na adoção de tecnologias registram perdas anuais em receita de até 15%. E se o mesmo comportamento permanecer, o potencial de perdas estimadas até 2023 chega a 46%, o que é surpreendente e assustador, ao mesmo tempo.  

De forma prática, o que este e outros estudos revelam é que há nas novas tecnologias uma enorme oportunidade para obtenção de ganhos na cadeia de valor das organizações. Por exemplo, se nos atermos unicamente à processos relacionados à manufatura, a aplicação de ferramentas digitais de gestão tem real potencial para elevar a produtividade e blindar fabricantes de terem suas margens perigosamente pressionadas em momentos de estagnação ou de baixo crescimento econômico.

Neste ponto, falamos de tecnologias que vão desde a digitalização de relatórios rotineiros para a indústria até a incorporação de soluções que permitam o monitoramento em tempo real de equipamentos, abrindo caminho para a realização de manutenções de forma preditiva e, por consequência, aumentando a disponibilidade de máquinas e linhas de produção.

No nível de gestão, isso significa agilidade para tomadas de decisão e a garantia de uma operação realmente alinhada com a estratégia e metas estabelecidas pela organização – o que por si só já é importante, mas que dado um cenário econômico desafiador se coloca como um ponto preponderante e inegociável para qualquer gestor.

No jargão da indústria de alimentos e bebidas, diz-se que a capacidade de produção é o que paga a conta final do fabricante. Claramente, trata-se de uma verdade, mas muitas vezes a capacidade produtiva não está diretamente atrelada a investimentos em ativos imobilizados, mas em ações que garantam maior eficiência fabril e que protejam as margens de lucro e a saúde financeira do negócio. De quebra, produtores investindo neste sentido estarão alguns passos à frente de seus competidores.

*Edison Kubo é diretor de portfólio de Serviços da Tetra Pak para as Américas. Formado em Administração e com especialização em Marketing, o executivo é responsável por direcionar a estratégia de negócios da companhia para a região, com foco na oferta de soluções que levem mais eficiência e produtividade para fabricantes de alimentos e bebidas.
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