06 maio 2019

Da oferta de moradia ao descarte de itens pós-consumo, as megalópoles trouxeram desafios importantes, inclusive para a indústria de alimentos e bebidas
Projeções da Organização das Nações Unidas indicam que até 2030, 90% da população brasileira estará vivendo em cidades, o que ajudará a consolidar o Brasil na posição de país mais urbanizado da América Latina. O movimento de populações rumo às cidades também resultará em mudanças nos hábitos de consumo, visto que cada vez mais consumidores irão priorizar a conveniência em suas escolhas diárias. Neste cenário, como os varejistas poderão lidar com o inevitável aumento na demanda para que marcas e consumidores sejam igualmente beneficiados?
 
A resposta não é única, mas passa por alguns pontos que, se bem trabalhados e articulados, têm potencial para aumentar suas vendas e manter o sucesso do seu negócio.
 
Explore opções convenientes de embalagens
 
A adoção de um estilo de vida urbano em união ao encolhimento das famílias fará com que varejistas foquem os seus esforços em novos meios para moldar suas ofertas, trabalhando com opções que levem mais conveniência aos consumidores. Algumas estratégias incluem a introdução de tecnologias que abram espaço para experiências de compra mais rápidas e sem atritos, sobretudo para compras online em quantidades pequenas ou para reposição.
 
Em um cenário em transformação, compras práticas e embalagens de fácil manuseio andam de mãos dadas. Embalagens e formatos que favoreçam o consumo em movimento e que facilitem a vida do consumidor estarão cada vez mais em evidência. Por exemplo, embalagens menores e fáceis de armazenar são ideais para uma parcela cada vez maior de consumidores, sobretudo para aqueles que vivem em regiões com alta densidade demográfica e onde a oferta de moradia é principalmente para imóveis pequenos. Para esse público, toda mercadoria que proporcione economia de espaço terá enorme valia.
 
Entregas super rápidas
 
A edição de 2018 da pesquisa Tetra Pak Index revelou que, com o crescimento das compras online, nos próximos anos surgirá o modelo de entrega super rápida, em que o pedido é enviado ao cliente em até dez minutos após o encerramento da compra. Neste cenário, os centros de distribuição deverão contar com robôs e máquinas automatizadas responsáveis por receber e separar os pedidos em tempo real.
 
Para sobreviver a uma cadeia que tende a ser cada vez mais agressiva, as embalagens deverão ser robustas o suficiente e ter formatos que facilitem a sua manipulação em centros de distribuição, de modo que elas cheguem impecáveis ao destino final.  
 
Distribuição otimizada, desperdício mínimo
 
A demanda por soluções sustentáveis terá um foco ainda maior na redução do desperdício de alimentos e embalagens, uma pressão que forçará os varejistas a encontrarem alternativas para evitar perdas ao longo de uma cadeia de distribuição desafiadora. Algumas medidas que varejistas poderão tomar para tornar a sua logística mais eficiente serão:
 
  • Priorizar o uso de materiais renováveis nas embalagens, a exemplo do papel;
  • Reduzir o peso das embalagens;
  • Comunicar o impacto ambiental do produto;
  • Desenvolver embalagens logisticamente mais eficientes, consequentemente reduzindo custos de transporte e de combustível.
Da mesma forma, porções individuais e embalagens on the go (próprias para o consumo em movimento) serão projetadas para reduzir o desperdício de alimentos, permitindo que famílias menores consumam determinados produtos e evitem desperdícios.
 
Embalagens sustentáveis
 
Em adição ao uso de materiais renováveis e a possibilidade de reciclagem das embalagens, os consumidores estão cada vez mais sensíveis ao uso de plástico. Isso não significa que o material será integralmente substituído e sim que o seu uso de forma indiscriminada será cada vez mais condenado. Essa mudança de comportamento terá impactos especialmente nas embalagens secundárias (aquelas que não estão em contato direto com o produto e que são habitualmente utilizadas para o transporte de várias unidades de um mesmo produto). Para muitos consumidores elas são desnecessárias, sendo suficiente a embalagem primária (aquela que tem contato direto com o produto), desde que ela proteja adequadamente o material em seu interior.
 
Em caminho similar, a embalagem primária também terá papel estratégico para o modelo de consumo que começa a emergir. Novas tecnologias transformarão caixinhas de leite e suco em vetores de comunicação, abrindo espaço para novos formatos de interação entre marcas e consumidores. Por exemplo, as chamadas embalagens inteligentes poderão indicar locais mais próximos para coleta de materiais para reciclagem, sendo aliadas importantes para reduzir o acúmulo de materiais pós-consumo descartados nos grandes centros urbanos.
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