26 Julho 2018
Digitalização e cocriação despontam como principais expoentes no processo de transformação da indústria. Adaptar-se rapidamente será primordial



Desde o surgimento da humanidade, o tipo de alimentação adotado por diferentes sociedades funcionou como um importante indicador sobre padrões comportamentais e modelos de organização social. Variados processos influenciaram o modo como nos relacionamos com os alimentos, da descoberta do fogo à possibilidade de industrializar e conservar produtos por períodos maiores. Mas poucas mudanças tiveram impactos tão profundos como as tendências que começam a se desenhar, fruto de inovações tecnológicas e da possibilidade de novas interações sociais.

Atualmente, seis grandes tendências para a indústria de alimentos e bebidas surgem no horizonte, segundo o Institute for the Future, organização que há mais de 50 anos estuda tendências com alto poder de impacto em diferentes setores. Dentre elas, duas despontam com maior velocidade: a cocriação e a digitalização.

“Há muito potencial a ser explorado na indústria utilizando as duas tendências. Trata-se de um mundo novo, mas que já está acontecendo e que precisamos experimentar e, sobretudo, nos adaptar”, diz Vivian Leite, diretora de Marketing da Tetra Pak. 
 


Como exemplo, a executiva cita o rastreamento de embalagens ao longo de todo o seu ciclo de vida, permitindo colher informações sobre matérias-primas utilizadas e processos de fabricação aos quais ela foi submetida até a possibilidade de utilizá-la como canal de comunicação e interação com o consumidor. Hoje, 11,5 bilhões de embalagens Tetra Pak são vendidas no Brasil anualmente, sendo possível criar mecanismos que forneçam ao consumidor informações específicas sobre o produto envasado em cada uma das caixinhas.

Em outra frente, também ganha importância o conceito de cocriação, ou a colaboração e encadeamento entre vários atores a fim de desenvolver novos produtos, em alinhamento com as transformações nos hábitos do consumidor e nas novas necessidades colocadas pelo mercado.

Segundo o Institute for the Future, a conectividade e a cocriação serão responsáveis por dar voz a diferentes atores dentro da cadeia de valor, transformando um processo até então linear e limitado em um ecossistema distribuído e com milhões de pontos de conexão. Se até então o desenvolvimento de novos produtos seguia padrões fechados de criação e desenvolvimento, de agora em diante ele terá um formato aberto e que contará com a contribuição de pessoas que vão além da indústria, unindo fabricantes e consumidores em uma ampla rede de coparticipação.

No Brasil, um dos maiores exemplos de cocriação na indústria de alimentos e bebidas é o Centro de Inovação ao Cliente (CIC), estrutura desenvolvida pela Tetra Pak para auxiliar os clientes no desenvolvimento de produtos e formulações. 

Entenda outras tendências para a indústria de alimentos
  • Microbiologia: o avanço tecnobiológico abrirá espaço para o estudo de microrganismos e em como eles podem auxiliar no desenvolvimento de novos sabores e na proteção e segurança dos alimentos. Bebidas amargas, por exemplo, poderão ter o seu sabor suavizado a fim de agradar o paladar de novos consumidores, o que abrirá oportunidades para explorar novos mercados e possibilidades de formulações.
     
  • Agricultura digital: a inteligência artificial e a robótica serão os grandes expoentes da agricultura do futuro. Limitações antes fora do controle humano, como incidência de raios de sol, volume de chuvas e tipo de terrenos para cultivo serão superadas graças à possibilidade de ensinar máquinas (machine learning) e automatização de processos. Até 2030, 5 bilhões de pessoas viverão em centros urbanos, o que demandará esforços significativos da agricultura para atender ao maior número de pessoas consumindo alimentos, sem que elas necessariamente participem do seu processo produtivo.
     
  • Degradação planetária: As mudanças climáticas e a degradação ecológica limitarão a oferta de matérias-primas, forçando a indústria a utilizar resíduos antes descartados para a fabricação de novos produtos ou para a otimização de processos. Haverá espaço para explorar novos nichos de mercado devido à introdução de novos materiais ao processo produtivo.
     
  • Nutrição de alta escala: Até 2030, 75% da população mundial estará conectada a tecnologias móveis, que cada vez mais serão utilizadas para monitorar dados relacionados à dieta dos indivíduos e à prática de exercícios físicos. Em decorrência do novo padrão de comportamento, as tecnologias móveis irão “conversar” com os produtos dispostos nas prateleiras, fornecendo dados e possibilidades de interação que irão muito além das informações dispostas na embalagem física.


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