05 setembro 2019
A filtração por membranas é uma das principais soluções do setor de alimentos e bebidas para atender às demandas dos consumidores por novos produtos. Descubra como ela pode ajudar a aumentar a eficiência da produção.
Desenvolvidos para separar partículas em diferentes tamanhos concentradas em substâncias líquidas, os sistemas de filtração por membranas são uma das principais soluções aplicadas à indústria de alimentos e bebidas atualmente. A tecnologia ocupa um papel estratégico para a formulação de bebidas com alto valor agregado e para a produção de alimentos que exigem alto nível de padronização, a exemplo de bebidas enriquecidas com proteínas e determinados tipos de queijos. Neste sentido, a filtração por membranas não somente surge como aliada importante na busca por diversificação de portfólio, mas também como alternativa para laticínios buscando ampliar margens de lucro.
 
Foi a partir dos últimos anos que formulações com alto teor de proteína ganharam as gôndolas dos mercados brasileiros. Em busca de um consumidor cada vez mais focado em aspectos relacionados à saudabilidade e funcionalidade, este mercado passou por forte expansão, sendo responsável por movimentar, anualmente, cerca de R$ 2 bilhões no País, segundo a Euromonitor. Estimativas da Tetra Pak indicam que o consumo deste tipo de bebida deverá saltar de 0,8 milhão de litro (2018) para 2 milhões de litros (2019), considerando somente family packs com distribuição ambiente (embalagens acima de 250 ml). Se analisado o consumo em embalagens individuais, no mesmo período o crescimento triplicará de 2 milhões de litros para 6 milhões de litros.
 
Se sob a ótica do consumidor o mercado caminha para um cenário de pluralidade de bebidas lácteas, com forte demanda por opções com alto valor de proteínas, para os laticínios brasileiros o movimento representa uma enorme oportunidade de diversificação de portfólio e busca por margens de lucro ampliadas - fato preponderante para uma indústria que convive com preços desafiadores e no qual, literalmente, cada centavo importa. Em função da recessão notada nos últimos anos e do reajuste de preços direta ou indiretamente ligados à produção da indústria, buscar eficiência e novas fontes de geração de receita virou um divisor de águas para a operação dos laticínios brasileiros.
 
Para alcançar maior lucratividade por quilo de produto produzido, um caminho para a indústria passa por investimentos que, ao mesmo tempo, possibilitem a diversificação de portfólio e o desenvolvimento de novas formulações. Por exemplo, a produção de queijos, sorvetes e iogurtes envolve investimentos em equipamentos de filtração por membranas para melhor aproveitamento dos sólidos suspensos no leite, o que, em outras palavras, significa abrir novas frentes de atuação e reduzir o nível de material descartado pela indústria.
 
Novamente olhando para o apetite do mercado consumidor, é importante avaliar as oportunidades presentes no mercado de queijos. Segundo a associação que representa a indústria (ABIQ), em pouco mais de dez anos (2005 a 2017) o consumo per capita no Brasil saltou de 2,9 quilos/ano para 5,5 quilos/ano, com perspectiva de chegar a 6,2 quilos/ano em 2021. Diante de um segmento em franca expansão, não coincidentemente notou-se nos últimos anos aumento no ritmo de lançamentos apresentados ao mercado: crescimento de 74,5% entre 2013 e 2017, segundo a consultoria de mercado Mintel.
 
No caso da indústria queijeira, além da aplicação de sistemas de filtração por membranas resultarem em melhoria de qualidade do produto e maior eficiência do processo, a tecnologia também é fundamental para a formulação de tipos específicos do alimento, atendendo às novas demandas do mercado consumidor. Por exemplo, a solução é essencial para a fabricação de queijos que exigem alto nível de padronização, eliminando a variação sazonal da proteína e atingindo melhor qualidade do produto final - mesmo para aqueles com alto teor de proteína ou com menor concentração de sal e gordura.
 
Tendo este cenário como pano de fundo, cabe compartilhar outros dados da Mintel, que indicam que 70% dos brasileiros têm interesse em experimentar uma versão do seu queijo favorito com baixo teor de sal, enquanto cerca de um terço (26%) diz que o baixo teor de gordura é o fator que mais influencia em sua decisão de compra.
 
Em síntese, o desenvolvimento de novas categorias na indústria de laticínios, ao mesmo tempo em que responde a um desejo de um consumidor ávido por novidades, também representa uma oportunidade importante para a diversificação de portfólio e investimento em tecnologias que favoreçam um modelo de produção mais plural, caso dos sistemas de filtração por membranas.
 
A reconfiguração do mercado não somente garante novas oportunidades aos produtores, mas também abre caminho para ganhos em receita que, em uma indústria que convive com margens apertadas, pode literalmente representar o sucesso ou declínio de um negócio. Um olhar atento para o cenário que se coloca à frente é essencial para os produtores que queiram manter alto nível de competitividade, seja em produção ou na oferta de produtos de sucesso nas gôndolas dos mercados.
 
Monica Pieratti é diretora de Processamento da Tetra Pak para as Américas. A executiva também acumula experiência em Marketing, sua área de formação, e no desenvolvimento de portfólio de produtos para a Tetra Pak globalmente.



*Artigo originalmente publicado na edição 139 da Revista Indústria de Laticínios.
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