10 julho 2019

A pessoa que viverá além dos 150 anos já nasceu. Romper com hábitos que levam a patologias será preponderante na busca por longevidade e qualidade de vida
Imagine uma vida que transcenda os séculos e todas as limitações físicas que atualmente julgamos intransponíveis. Cientistas e pesquisadores em diferentes partes do mundo defendem que a pessoa que viverá além dos 150 anos já nasceu, sendo que, conforme ocorrerem avanços em determinados tratamentos, as gerações mais novas poderão facilmente ultrapassar essa marca. Se por um lado o futuro da humanidade parece promissor, a maior longevidade trará impactos importantes para diferentes indústrias, incluindo a de alimentos e bebidas.

“O envelhecimento não é nenhum tipo de enigma. Basicamente, ele é o resultado de um processo encadeado pelo metabolismo, danos e patologias”, explica o doutor Aubrey de Grey, biomédico inglês especializado no estudo do combate ao envelhecimento. Grey foi o palestrante da última edição do KES, evento sobre tendências e inovação patrocinado pela Tetra Pak.

De acordo com o biomédico, o corpo humano pode ser comparado a um carro. Não chega a ser raro encontrar automóveis antigos circulando pelas ruas das nossas cidades, mas é certo que por trás do funcionamento perfeito dessas máquinas estão cuidados com manutenção e prevenção de falhas. Ou seja, se o ser humano puder evitar certos danos ao corpo (ou hábitos nocivos à saúde), poderá quebrar o ciclo que leva a patologias e manter por mais tempo o funcionamento adequado do seu metabolismo.

No que diz respeito à alimentação, é certo que a busca por maior longevidade trará impactos relevantes para a indústria. O valor nutricional dos alimentos ainda será preponderante no processo de escolha dos consumidores, mas outros aspectos pesarão nessa equação.

“Precisamos pensar em longevidade com independência física e mental. A indústria de alimentos e bebidas tem muito a contribuir com isso, principalmente pelo desenvolvimento de produtos que aliem nutrição e funcionalidade”, explica Erika Carvalho, gerente da área Científica e de Assuntos Regulatórios da Nestlé Health Science para a América Latina. Erika foi uma das executivas presentes no KES.

Estudos encomendados pela Tetra Pak indicam que mais da metade dos consumidores (52%) tenta ativamente ser mais saudável mentalmente e fisicamente. Em proporção similar, 47% procura por marcas que ajudem a alcançar o bem-estar físico e mental. Isso se deve a uma mudança recente de comportamento e visão mais abrangente sobre a saúde.

Porém, o desafio não se limita somente a questões relacionadas à formulação dos alimentos, mas também à sustentabilidade de cada produto. “Nós viveremos mais, mas o planeta continuará sendo somente um. Precisamos cuidar dele e garantir o ambiente adequado para a manutenção da vida”, diz Erika.

Sob essa perspectiva, ao mesmo tempo em que aumentará a pressão sob a indústria por produtos funcionais, também haverá maior pressão por soluções que utilizem fontes renováveis e/ou possíveis de retornar para um novo ciclo de vida, o que será determinante para a escolha dos materiais aplicados às embalagens. Afinal, se o ser humano será capaz de viver por séculos, também será preciso ter ações e soluções que contribuam para a longevidade do planeta.
 
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