05 julho 2019

Se ao pensar em inovação, você logo pensa em tecnologia, talvez seja o momento de refletir um pouco. E se utilizarmos a natureza como referência?
Não importa se você trabalha em uma empresa pequena ou de grande porte ou o seu cargo atual. Uma palavra que certamente permeia o seu dia a dia e o da sua organização é “inovação”. É certo que aquilo que você e sua empresa produzem hoje não será o mesmo que vocês produzirão em alguns anos – ou talvez, ainda que o produto se mantenha, o seu modelo de produção mudará por completo. Em um cenário em constante evolução e onde a inovação é preponderante, onde buscar inspiração para fazer melhor e diferente? Já pensou em olhar para a natureza?

A última edição do KES Session, evento sobre tecnologia e inovação patrocinado pela Tetra Pak, trouxe para discussão o conceito de biomimética, ou a capacidade de encontrar soluções para problemas cotidianos tomando como inspiração exemplos da natureza.

“Se pudéssemos comprimir os 4,5 bilhões de anos do planeta Terra no período de um ano, a vida humana somente teria início a partir das 23h55 do dia 31 de dezembro”, contou a bióloga Dayna Baumeister, palestrante do evento. “Se olharmos a inovação somente sob a perspectiva humana – ou seja, olhando unicamente para os últimos 5 minutos de um ano inteiro - fecharemos os olhos para uma infinidade de soluções formidáveis que podemos replicar em nossos desafios diários”.

Parece estranho? Na verdade, a aplicação da biomimética é muito mais simples do que podemos imaginar. Por exemplo, você já parou para pensar por que as aves colidem contra enormes prédios espelhados, mas não ficam presas a teias de aranha quase imperceptíveis ao olho humano? O detalhe é que teias de aranha refletem a luz ultravioleta, virando um obstáculo visível para as aves. Para evitar a morte de milhares de pássaros por conta de colisões em edificações, uma empresa norte-americana desenvolveu um modelo de vidro com revestimento que reflete os raios ultravioletas, tornando-os visíveis para as aves.

A biomimética nas indústrias de alimentos e embalagens

Aplicável para qualquer segmento da indústria, o setor de embalagens também tem muito a tirar proveito da biomimética. Se analisarmos embalagens para consumo em movimento, veremos que além de menores, muitas delas contam com formatos que tornam o seu manuseio e transporte muito mais fácil e agradável, como aquelas propositalmente projetadas com formato geométrico. Se olharmos para os nossos antepassados, veremos que o formato das mãos e a capacidade de aplicar força suficiente para transportar e manusear objetos com destreza foi fundamental para a evolução da espécie humana.

Na indústria de alimentos e bebidas, um exemplo interessante vem da Bélgica. Para preservar a qualidade e durabilidade de frutas e vegetais, foi criado um sistema de armazenamento pós-colheita que recria o mesmo ambiente das fazendas de plantação: quentes e úmidos. Entre a colheita e a distribuição dos alimentos, eles são armazenados em espécie de estufas equipadas com painel solar. Este painel é o grande responsável por “aquecer” o sistema e recriar o ambiente da plantação, mantendo a qualidade do produto por mais tempo e abrindo oportunidades para a sua distribuição em regiões afastadas.

“Precisamos entender que a sagacidade humana, por si só, não é o que nos fará avançar no século XXI. Se realmente queremos preservar a nossa espécie, precisamos aprender a fazer as coisas de um modo diferente. Nossa pergunta deve ser ‘como a natureza resolveria isso?’ ao invés de ‘como os seres humanos resolveriam?’”, diz Dayna. 

Em uma análise fria, o raciocínio da bióloga faz sentido. Certamente, o ser humano adquire mais repertório e capacidade para inovar em um ano inteiro do que em limitados cinco minutos de existência, não é mesmo?
 
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